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domingo, 16 de março de 2014

O BRASIL NÃO É MAIS UM CELEIRO MISSIONÁRIO



Conheci a Cristo no final dos anos 90. Minha experiência de conversão se deu em uma igreja batista recém-plantada na minha cidade. Meu batismo e minha experiência de discípulo começou no inicio do ano 2000, na igreja Assembleia de Deus. Eu vivi uma parte do movimento AD2000 (1) e da chamada  “Década da Colheita” (2), e de certa forma toda minha geração foi influenciada por estes movimentos.  Uma e outra vez, escutávamos a frase: “O Brasil é um grande celeiro de missionário”. Por nossa pequena igreja passavam alunos da “Missão Horizontes” falando sobre a janela 10/40 e sobre como o brasileiro gasta mais com Coca-cola do que com o Reino de Deus. Após o culto, nós doávamos aquilo que tínhamos para as missões. Lembro-me de um diácono pobre doando um relógio a um missionário que havia perdido o seu em uma viagem de barco na Amazônia. Lembro-me também de um amigo que constrangido pela necessidade da obra e sem nada para doar, tirou dos pés um par de tênis Nike e colocou sobre o altar, voltando para casa descalço depois do culto. A gente dava o que tinha, e não era por causa de alguma promessa de retorno financeiro (como nas campanhas dos televangelistas atuais), mas simplesmente por amor e desejo de ver o evangelho avançando entre as nações da terra. Os jovens da igreja (e eu era um deles) eram muito ativos: organizavam jograis e teatros com temas missionários, e muitos de nós queríamos ser pastores ou missionários. Hoje, vários daqueles jovens com os quais cresci são pastores, evangelistas, missionários, obreiros em suas igrejas locais, e estão envolvidos de alguma forma com a grande comissão.

UMA IGREJA QUE RESPIRAVA MISSÕES

Mas eu não consigo escrever este texto sem lágrimas nos olhos. Agora mesmo, sinto o peito doer e meus olhos se enchem de água ao me lembrar daqueles dias quando a gente vivia de maneira tão intensa, organizávamos vigílias, acampamentos de oração, visitávamos, evangelizávamos de verdade. Conheço um jovem em Cristo que aos 16 anos tinha uma rotina invejável: Ele fazia semanalmente visitas no hospital da nossa pequena cidade, e saia dali direto para o asilo contrabandeando doces e bíblias para os anciãos com quem passava parte do seu domingo. Por volta das 4 horas da tarde saia dali com outros meninos da sua idade, numa kombi velha da wolksvagen para realizar visitas em uma comunidade rural e "cooperar" com os irmãos de lá. As vezes a Kombi não vinha, e eles faziam o trajeto de 18 quilômetros de bicicleta. Quando chegavam a cidade novamente, era para tomar um banho e ir ao culto, ansiosos por ouvir a Palavra pregada e dispostos a participar, seja cantando, pregando, limpando ou fazendo qualquer outra coisa na igreja local. Durante a semana, ele e outros eram voluntários no “Desafio Jovem Liberdade” – centro de recuperação para usuários de drogas – muitas vezes saindo do trabalho direto para lá, para ensinar violão, passar algum tempo de comunhão com os internos e pregar no culto da noite. Esses rapazes respiravam missões.  

Na época, surgiam seminários com cursos rápidos, em média 2 anos, em regime de internato, onde a ênfase não era apenas preparar teólogos, mas obreiros. Trabalhavam-se questões como caráter, perseverança, domínio próprio, obediência, e grande parte das disciplinas do curso eram de viés missionário. Éramos confrontados com as biografias de William Carey, David Brainerd, Hudson Taylor, Adoniran Judson, George Miller, e nos inspirávamos neles. Criticava-se o modelo de seminário que formava apenas teólogos e falava-se muito em vocação ministerial. Escutávamos uma e outra vez que ser pastor é um dom e não uma profissão, e que o ministério é muito mais dar do que receber. O ponto alto das aulas era quando por lá passava algum missionário em transito, e contava as experiências vividas naquela terra desconhecida. Lembro-me de ter ouvido um desses missionários falando sobre o país dos Incas, e de como me senti desafiado pelo testemunho daquele jovem obreiro. À noite, enquanto orava por aquele país, discerni claramente a voz de Deus falando fortemente ao meu coração: “Eu te levarei ao Peru!”. Cai em pranto, sentindo um misto de temor e imensa alegria, pelo peso da responsabilidade e pela honra recebida. Sai do meu país em 2003, quando ainda se vivia a ressaca destes movimentos.

JOVENS QUE NÃO ALMEJAM O MINISTÉRIO

Hoje a igreja evangélica definitivamente não é a mesma. Ela nem sequer se parece com aquela igreja de 15 anos atrás. Cada vez que viajo ao Brasil, fico absorto com a secularização cada vez maior da igreja. Vejo uma igreja rica, muito rica, mas tremendamente ensimesmada. Em círculos tradicionais e na ala pentecostal clássica, pouco se fala em evangelismo e missões. Já os neopentecostais distorceram o conceito de evangelismo e missões transformando a igreja em uma pirâmide e implementando visões celulares das mais absurdas, substituindo paixão missionária por obediência cega a um líder autoritário. Se antes os jovens desejavam o ministério, a geração atual foge dele. É comum ver rapazes de moças de vinte e poucos anos com altos salários, comprando carros importados, fundando empresas, empreendendo e ganhando muito dinheiro. Os pastores destas igrejas sofrem, pois tem que se desdobrar em mil ofícios para atender as necessidades do rebanho, já que ninguém quer se envolver no ministério e sacrificar as horas de descanso para cuidar das necessidades alheias. Alguns poucos ainda ousam se envolver com missões, mas raramente em tempo integral. Ao invés disso, doam parte das suas férias para servir em algum país exótico, e passam 4 ou 5 dias visitando alguma igreja local,  e o resto das férias em alguma praia paradisíaca do Índico ou do Pacífico. Não trabalham nada, mas tiram umas quinhentas fotos com crianças locais e chegam a suas igrejas com testemunhos fantasmagóricos acerca de como salvaram o mundo em seis dias e ensinaram os pastores e missionários locais a pastorearem suas igrejas. 

MISSIÓLOGOS DE INTERNET QUE NUNCA SE ENVOLVERAM COM MISSOES

O conceito de missão tem sido banalizado por uma geração hedonista mais preocupada com seus prazeres do que com glorificar o Cristo entre as nações. Para justificar sua falta de coragem para encarar o campo missionário, criam-se as mais distintas agencias missionárias, muitas das quais não enviam e nem sustentam nenhum missionário, dedicando-se apenas a recrutar voluntários para viagens de ferias, exatamente do tipo que mencionei no último parágrafo. Diga-se de passagem, o dinheiro gasto por uma equipe de voluntários de férias, se fosse doado integralmente a alguma missão séria que trabalhe entre os autóctones, daria para sustentar cerca de 10 obreiros durante um ano. Crer que 20 brasileiros em uma semana podem fazer um melhor trabalho que um obreiro nacional em um ano é um sofisma, mas parece ser este o pensamento predominante nessas missões recém-criadas no Brasil (as exceções conformam a regra).

Embora não estejamos mais tão engajados com missões transculturais, nunca tivemos tantos “ESPECIALISTAS” em missões! Meninos de vinte anos, com pouca ou nenhuma formação teológica, sem experiência de vida ou ministério e cujo maior esforço missionário foi falar de Jesus para o colega de classe, editam blogs e vlogs, dão opiniões e organizam conferencias missionárias onde eles mesmos são os preletores. Recentemente um desses palpiteiros da internet, um garoto de 20 anos, escreveu um livro sobre missões. Muita gente elogiou a atitude do rapaz e não encontrei ninguém, nem mesmo entre a velha guarda evangélica (que também é ativa nas redes sociais) para colocar freio na arrogância do moleque que escreveu suas 120 paginas sobre um assunto que ele nunca experimentou de fato. Há algum tempo recebi duas equipes de voluntários na cidade de Piura, onde desde 2008 temos desenvolvido alguns projetos missionários. Um dos rapazes que nos visitou, ainda nem tinha barba no rosto, mas logo se apresentou como consultor em missões. Segundo ele, varias igrejas no Brasil contam com seus conhecimentos de consultoria. Isso me parece estranho, se considerarmos que ele nunca foi missionário de fato, apenas participou de algumas palestras com ênfase na famigerada e pouco eficaz Missão Integral (3). Recebi deste garoto que nunca fez missões, diversos conselhos sobre como treinar meus obreiros e torná-los mais efetivos. Outros chegam já satanizando a cultura, tendo visões esquisitas acerca de demônios territoriais e correntes que estão aprisionando nossa igreja e missão, algo muito esquisito e sem bases bíblicas em minha opinião. 

UMA JUVENTUDE QUE QUER ENSINAR, MAS NÃO SE PRONTIFICA A APRENDER

Durante os dois últimos meses visitei varias igrejas no Brasil e por onde passei, desafiei pessoas para virem ao campo missionário no Peru, e o máximo que consegui foram uns garotos meio-hippies dispostos a vir salvar o mundo em uma semana e ensinar os pastores a pastorear suas igrejas. Todos os rapazes com quem falei queriam vir e ditar seminários, palestras, conferências, treinamento para pastores, e não atentavam para o ridículo das suas propostas, já que eles mesmos nunca pastorearam nem suas próprias famílias. No entanto, nenhum deles se mostrou disposto a passar ao menos um ano trabalhando de forma sistemática e fiel junto aos nativos, participando da vida, da luta e das dores do povo, compartilhando a comida e vivendo a verdadeira essência da missão. Todos queriam ensinar, ninguém estava disposto a viver. Todos queriam vir e impor; ninguém estava disposto a vir, viver e receber. Todos queriam formar obreiros, ninguém queria ser formado como obreiro. Todos queriam vir correndo e voltar; ninguém estava disposto a vir e permanecer. Cada um tinha uma visão diferente para a igreja peruana, mesmo sem ter conhecido de perto este campo missionário. Todos tinham receitas exatas para fortalecer o ministério local, mas ninguém queria servir no ministério. Muitos reis, nenhum servo. Como diria o pastor Kolenda, de saudosa memória, simplesmente “muito cacique para pouco índio”.

UMA IGREJA SECULARIZADA QUE NÃO AMA MISSOES

Não posso dizer exatamente onde foi que a igreja errou (não se preocupem, deve ter algum conferencista de vinte anos capaz de decifrar este mistério!). Porém, mesmo sem saber exatamente, acredito que alguns fatores são visíveis e fáceis de discernir: economia estável, bons empregos, oportunidade de fazer duas, três, quatro faculdades, anos de pregação antropocêntrica que exclui o sacrifício como parte da experiência cristã, tudo isso contribuiu para uma horrível secularização da igreja. Se eu fosse dispensacionalista, não teria dificuldade em aceitar que a igreja está vivendo a “Era de Laodicéia”. A igreja de Laodiceia e a igreja brasileira são irmãs: As duas são ricas materialmente, ensimesmadas, autossuficientes. As duas estão corroídas pelo pecado, empobrecidas de galardão e cegas quanto a sua real situação.  Se há algumas décadas dizia-se que o Brasil era um celeiro de missões, hoje tenho certeza que este título deve pertencer a algum outro país: China, Índia, Coreia do Sul, talvez... Mas definitivamente, esse título já não se pode aplicar ao Brasil.

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Leonardo Gonçalves é missionario há 11 anos. Neste período ajudou a plantar e consolidar igrejas no Brasil, Argentina (Patagonia e provincia de missiones), e no norte de Peru. Desde 2008 vive na cidade de Piura, envolvendo-se na plantação de 7 igrejas autóctones. O Projeto Piura sustenta hoje 6 obreiros autoctones e ajuda a 60 crianças provindas de comunidades carentes do Peru.

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NOTAS:

1. O Movimento Ano 2000 (AD 2000) surgiu de uma reunião em janeiro de 1989, em Singapura, onde foi realiazada uma Consulta Global de Evangelização Mundial para o ano 2000 e Além. Esta consulta deu origem ao movimento denominado AD 2000, cujo enfoque eram os povos não alcançados da chamada ‘janela 10/40’.
2. A Década da Colheita foi o resultado de um encontro de líderes das Assembleias de realizado nos Estados Unidos, em 1988. Foram também estabelecidas metas bem claras para a AD no Brasil, para serem alcançadas até o ano 2000: (1) Levantar um exército de três milhões de intercessores; (2) Ganhar 50 milhões de almas para Cristo; (3) Preparar 100 mil obreiros dispostos a trabalhar na seara do Mestre. (4) Estabelecer 50 mil novas igrejas em todo o Brasil; e (5) Enviar novos missionários para outras nações.
3. Não é que eu me oponha totalmente a Missão Integral. Minha crítica a este movimento pode ser resumida em poucos pontos: (1) A terminologia Missão Integral é, por si, uma redundância. Se é missão cristã, deve ser integral, e se não for integral (no sentido de total), não é missão. (2) Os promotores da Missão Integral no Brasil parecem se inspirar mais no marxismo do que na Bíblia. Um dos líderes desse movimento chega a apresentar o comunismo como uma ideia bíblica de comunidade. Ora, confundir comunidade cristã com uma ideologia que foi responsável por milhões de mortes no mundo, incluindo muitos cristãos, é uma boçalidade. (3) O discurso da Missão Integral tem servido de plataforma política para ideias esquerdistas, e sua super-ênfase no social tem levado alguns a pregar um conceito que beira a salvação pelas obras, algo abominável do ponto de vista bíblico. (4) Nunca vi um leprosário criado ou mantido por adeptos da Missão Integral.  

quarta-feira, 12 de março de 2014

BATALHAR PELA FÉ


por Morgana Mendonça dos Santos

"Amados, enquanto me empenhava para vos escrever acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever exortando-vos a batalhar pela fé entregue aos santos de uma vez por todas" Judas 1.3

Orígenes, um pai da igreja, acerca do livro de Judas disse: "é um livro pequeno, mas cheio de um vigoroso vocabulário". Um livro muito esquecido pela maioria, vinte e cinco versículos, recheados de ensinamentos com um potente vigor apologético. Judas motiva seus leitores a pelejar, lutar pela fé. Nos trazendo a memória que antigamente e que também hoje precisamos defender a fé, que foi recomendada entre o povo do Senhor. Não podemos afirmar a data da carta, nem ao menos o público para qual foi escrito, existe uma certa semelhança com a carta de 2 Pedro (capítulo 2), porém podemos afirmar com toda a convicção que foi escrita para cristãos, para a igreja, o povo do Senhor. Percebemos, de forma categórica que Judas escrevendo para uma igreja ou para várias, tendo a intenção de ajudá-las a defender-se de um ataque específico ao evangelho: Falsos ensinos, um ataque que acontecia dentro da igreja. Notamos que na época de Judas as heresias, falsas doutrinas, ensinamentos errôneos tomavam um proporção no meio dos cristãos. A igreja estava sendo atacada! 

Percebemos no texto que a intenção de Judas (irmão de Tiago) ao escrever essa epístola, era encorajá-los à compartilhar a unidade que eles tinham em Cristo, no entanto, uma situação sobreveio, e como um alerta moveu-se a falar sobre a defesa da fé. Podemos afirmar que essa pequena carta nos motiva e nos encoraja com relação a apologética. É interessante notar também que alguém poderia dizer ou pensar que a apologética destina-se somente aos que estão do lado de fora da igreja de Jesus Cristo, em certo sentido sim, entre a igreja e o mundo. No entanto no verso 4 observamos Judas dizer: " se introduziram com dissimulação", estavam com o intuito de trazer dúvidas a fé santíssima (1.20), causando divisões, trazendo uma influência anticristã (1.19). Como Judas os descreve? Ele diz que: "Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Corá" (1.11). Ilustrações tiradas do Antigo Testamento, que ocorreram no contexto do povo do Senhor, seus leitores conheciam bem as Escrituras, inclusive os apócrifos (9,14). 

O propósito de Judas seria lembrar aos seus leitores que existem falsos cristãos dentro das congregações. Esses homens entraram no caminho de Caim, que motivado por uma ira no seu coração, matou seu próprio irmão. O nome de Balaão é mencionado, levado pela ganância (Nm 31.16). A referência a Corá é chocante, um sacerdote, porém rebelando-se contra a ordem e a estrutura divina firmada em Israel. Sua oposição contra a autoridade da Igreja no Antigo Testamento (Nm 16; 26). Porém, qual o propósito de Judas com esses exemplos?

Para os leitores dessa carta, era necessário entender que esses falsos mestres não somente distorciam o verdadeiro ensino como também sorrateiramente manipulavam em prol das suas causas. Como Caim, esses invasores desejavam, de acordo com Judas, inverter a direção da igreja, assassinar o ensino a partir de dentro da casa do Senhor. Como Balaão, esses falsos mestres estão preocupados somente com o seu ganho, interesses pessoais (1.12). A citação do nome Corá, vem para provar que esses pseudocristãos estão arraigados na mesma revolta, (oposição), disputas rebeldes que os falsos mestres também estavam envolvidos.

"O problema é que a igreja tem sido infiltrada por aqueles que se opõe ao evangelho. Eles vieram para dentro da igreja e vivem entre os cristãos" disse Scott Oliphint¹. A pergunta de Oliphint, será a nossa nesse texto: Como, então,deveriam os cristãos responder a essa situação nos dias atuais?

Judas no verso três nos garante a resposta pratica para tal situação, ele diz que devemos "batalhar pela fé". A palavra traduzida por batalhar não é usada em nenhum outro lugar do NT. Os cristãos precisavam se ver em um campo de guerra, precisavam entender o que significa batalhar pela fé. São como soldados, recrutados dentro de um exército, para glória do seu Comandante Supremo. Deveriam estar prontos, preparados para tudo que tinha relação com a Fé dada aos santos. Assim como vemos o apostolo Pedro orientando os cristãos:

"Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" 1Pedro 3.15

Vejamos mais atentamente as palavras inspiradas que Judas escreve no verso três:

"A batalhar pela fé (1) entregue aos santos de uma vez por todas (2)" (v.3)

Na visão de Judas, quando batalhamos por nossa fé não estamos travando combate por algo que temos e que poderíamos perder. Não é a fé dada a nós por Deus, essa na maioria das vezes é a referência ao dom de Deus (Ef 2.8). O cerne da questão em Judas é a fé como verdade das Escrituras, verdades que compõem o Evangelho. Batalhamos pelo Evangelho! Não faço menção de algo sobre o exercício pessoal de fé, a audiência de Judas deveria batalhar sobre o conteúdo da verdade da nossa crença, nossa declaração de fé.

"O credo cristão mais antigo de que temos ciência consistia da afirmação "Jesus é Senhor" (1Co 12.3). Não temos nenhum modo de saber no que, exatamente, consistia "a fé" quando Judas escreveu sua epístola. Mas não devemos subestimar a capacidade dos cristãos no primeiro século de articular sua fé”. ²

Judas menciona essa fé fazendo o complemento de que foi "uma vez por todas entregue aos santos". O que ele quer dizer com "uma vez por todas"? Significa completude, foi recebido de forma completa, não é mais necessário nenhuma outra revelação além da que Deus lhes dera. Nada poderia ser acrescentado ou subtraído da revelação que receberam da parte do Senhor (Dt 4.2; Ap 22.18-19). Além de ser uma vez por todas, foi "entregue". Isso nos traz a memória à fonte da fé que defendemos. É uma fé revelada e dada pelo próprio Deus. Ao defender o cristianismo, precisamos entender que a nossa defesa está baseada na revelação divina, nós a recebemos pela graça de Deus.

Fazendo uma rápida análise e comparação de 1Pe 3.15 e Judas 1.3, notamos que Pedro usa a palavra "santificar" e a palavra que Judas usa é "santos" derivada da mesma semântica. Poderíamos então pensar que essa "fé é entregue a todos aqueles que são separados, santificados. Judas escrevendo diz: que Deus concedeu essa fé, de uma vez por todas, ao corpo santificado de Cristo, àqueles que são separados como santos. Segundo Scott Oliphint: "Estar em Cristo é ser "declarado santo". Ser declarado santo é ter à fé. Ter fé traz consigo a responsabilidade de defesa e recomendação dela. A apologética é para todos os santos”. ³

Vivemos nos dias atuais um tempo difícil. Podemos pensar na igreja que recebeu a carta de Judas: poderia ser essa a nossa condição hoje? Como, então deveríamos responder a essa situação nos dias atuais? A principal forma de batalhar pela fé seria explicar e expor a realidade e verdade das Escrituras Sagradas. No tempo de Judas, os falsos mestres (12,13) estavam pervertendo a graça de Deus (v.4), os cristãos precisavam lutar e argumentar que essa graça que leva a imoralidade é oposta à fé, mostrando que a graça genuína é resultado de uma gratidão obediente, santidade e fidelidade a esse Evangelho. Somos de fato chamados por Judas a defender esse evangelho (fé), dentro e fora das nossas igrejas, porém isso precede conhecer as Escrituras. Essa fé que culminou em Jesus Cristo, uma fé que entende que a revelação de Deus está completa em Cristo.

Judas finaliza sua carta orientando os cristãos: "Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna." (20,21).Termino, com um trecho da canção do grupo Logos: “Glória, glória ao Autor da minha fé”!
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1- Scott Oliphint, A Batalha pertence ao Senhor, pág 68. 
2- Ibid, pág 75.
3- Ibid, pág 83.


domingo, 9 de março de 2014

A CONTRAINDICAÇÃO


A CONTRAINDICAÇÃO

por Morgana Mendonça dos Santos


"Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém." 2Pe 3.18
O que temos recebido nos púlpitos domingo após domingo? Que tipo de mensagem temos saboreado? Que tipo de ensino tem cativado as nossas mentes e que tipo de edificação tem gerado em nós? A mensagem do Evangelho, as boas novas, tem sido pregada de forma expositiva e fiel? Cresçamos na graça e no conhecimento de Cristo Jesus.

"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça" 2Tm 3.16

Lendo os puritanos identifico o alvo da mensagem do evangelho: a resposta a tantas heresias é nada mais e nada menos que o deslocamento da centralidade das Escrituras. Homens piedosos do século XVI e XVII, que estavam preocupados com uma vida pura de acordo com as doutrinas da graça soberana de Deus, desafiavam a igreja e mantinham seus olhos atentos na manutenção do ensino das Escrituras. Seus corações eram motivados na necessidade de desenvolver um padrão pessoal de piedade, conforme as prescrições bíblicas, que flui do correto entendimento da doutrina com a ênfase na conversão pessoal resultante do poder transformador do Espírito Santo. Sentiam a necessidade de uma vida eclesiástica baseada na Palavra, conforme as determinações da Palavra. O soberano Deus triúno é adorado.


É interessante notar esse pensamento puritano, onde tudo é direcionado as Escrituras Sagradas. O que temos hoje de mensagem do Evangelho está distorcido, está comprometido com o relativismo, com o pragmatismo. As experiências tem autoridade final acima das Escrituras, a verdade sendo suprimida por paixões ideológicas, entretenimento e modismo nos púlpitos. Os sermões estão baseados nas sensações, naquilo que vai atrair as multidões. Na verdade os fins estão justificando os meios, sermões temáticos que encontram público ávido por pão e peixe, multiplicar, consolidar... As pessoas estão correndo atrás dos bezerros de ouro ao invés do sermão da montanha baseado nos mandamentos do Senhor.


Para um pregador puritano o texto não estava no sermão, mas o sermão estava no texto. Alguém ao ouvir uma mensagem dessas poderia simplesmente dizer: "Ouvir um sermão, para mim, é como estar dentro da Bíblia". Não existe nos escritos ou sermões puritanos alguma referência pessoal ou qualquer história contada, significando a importância que eles davam ao púlpito não podendo ser degenerado com uma pregação egocêntrica. Podemos olhar para a história da igreja, para a histórias dos pais e reformadores e notar o valor e o temor que tinham para pregar a mensagem do Evangelho. A nossa tarefa deve ser semelhante à dos puritanos, eles oravam para que a exposição fiel das Escrituras ligada a ação do Espírito Santo e aplicada aos corações dos ouvintes produzissem um sincero arrependimento para salvação e crescimento mútuo na vida dos crentes.

Seriamos mais sábios e úteis se buscássemos mais as Escrituras como faziam os puritanos: 

"Ame a Palavra de Deus em suas devoções pessoais, busque a benção de pensar biblicamente, de falar biblicamente, viver biblicamente e perceberá que sua palavra contém uma autoridade divina" 

Joel R. Beeke.


Agora questione-se: que mensagem do Evangelho tem sido oferecido a você todos os domingos? Pedro e Paulo nos advertem ao crescimento do conhecimento e da graça. Isso só é oferecido pelas Escrituras Sagradas que tem autoridade final, divinamente inspirada, proveitosa e apta! Do mesmo jeito que existe na bula de um medicamento a contraindicação é importante descrever a nossa. Não é pecado "o exame de tudo que se ouve". Em atos 17.11 vemos os crentes de Beréia:


"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim"

Se você é um crente genuíno, autêntico, arrependido em Cristo, é necessário a contraindicação em suspeita de mensagens que contêm heresias de perdição, falsos ensinos, dissoluções, blasfêmias, espíritos enganadores, doutrinas de demônios.


"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade" 2Pe 2.1-2


"Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência" 1Tm 4.1-2


"Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia" Sl 119.97

Sejamos profundamente bíblicos! A Deus toda a Glória, Rm 11.36.



A respeito da pregação.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Ser discípulo x Ser gospel




por Morgana Mendonça Santos


"Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído" 


Isaías 29.13

No dicionário Aurélio encontramos o significado da palavra "discípulo": 1. Aquele que recebe disciplina ou instrução de outro, aluno. 2. Que segue as ideias, imita os exemplos de outro. Na Bíblia, vemos a relação de Cristo com os seus seguidores. Na sociedade grega antiga, ser discípulo era a descrição de um aluno ou aprendiz de um homem sábio. Uma pessoa que buscava conhecimento, sabedoria e se submetia a um talentoso professor. A definição no Novo Testamento é dado por aquele que crê em Jesus Cristo e por conta disso gasta o restante da sua vida seguindo os meios de Graça. Discípulo é aquele que submete cada área da sua vida ao Rei e nenhuma área de sua vida é excluído da Sua autoridade. Encontramos no Novo Testamento apenas três vezes os seguidores de Cristo sendo chamados de cristãos (At 11.26, 26.28 e 1Pe 4.15-16), começando em Antioquia quando Paulo e Barnabé estavam lá. (Atos 11.26) Porém o termo "discípulo" é encontrado diversas vezes nas Escrituras. Podemos assemelhar o termo “discípulos” com o termo “cristãos”.

O significado da palavra "gospel" (inglês), que quer dizer em português "evangelho" ou "evangélico" vem do estilo cantado pela comunidade negra dos EUA, fazendo uma mistura de conceitos cristãos e devoção popular. Esse conceito vem a cada dia sendo firmado numa falta de compreensão sobre aquilo que é santo e profano. Ser gospel é ser Cristão? Porque ser cristão é ser discípulo de Cristo. Notamos hoje não o significado primário do movimento gospel, observamos tudo sendo inflamado pelo conceito moderno de "ser gospel". O que vem afinal a ser isso? Ser um moderno cristão ou ser um cristão contextualizado? Hoje em dia notamos o termo para tudo, a música é gospel, o site de relacionamento para encontrar o seu amado é gospel, a "ficada" é gospel, a inveja é gospel, a boate é gospel, o bloco carnavalesco é gospel, já existe até comentários de filmes de pornô gospel, o fuxico é gospel, a moda dos artistas é também gospel e por aí vai...

"E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens"

Marcos 7.6-7

O profeta Isaías, citado pelo próprio Cristo, nos evangelhos (Mt 15.8-9), vem nos trazer uma imagem da realidade hipócrita, da falsa adoração e espiritualidade em que o povo estava sujeito. Jesus advertindo os fariseus e os escribas contra o mesmo falso cristianismo, que precedia das tradições humanas e não da obediência fiel aos mandamentos divinos. Uma classe de "gospeis", que em vão adoravam ao Senhor, os seus lábios pervertidos causavam náuseas e os seus corações não tinham fundamentos em Cristo, uma pratica incoerente com o que se falava. Ser gospel é não ser cristocêntrico e sim antropocêntrico. É totalmente necessário causar essa exposição das diferenças que existe hoje em nosso meio. Parece que há muito tempo virou moda no nosso país o "ser gospel", invertendo e enfraquecendo o conceito no qual define o ser cristão: discípulo de Cristo. Ao meu ver, precisamos ser radicais, ao defender a fé com coragem (Jd 1.3). Precisamos refletir a imagem de Cristo (Rm 8.29) no nosso viver diário, creio que esse seja o caminho para colocarmos as diferenças em plena luz e sendo assim o mundo identificará que somos discípulos de Cristo (João 13.35). Não somos de Paulo, nem de Apolo (1Co 3.4-5), não somos “gospeis”, não temos orgulho por sermos católicos (já viu esse adesivo de carro?), não somos universais conforme o comercial da IURD*, somos de Cristo, somos cristãos e devemos ser verdadeiros seguidores conforme a semelhança do Mestre.

O teólogo John Stott, no seu último livro, que tem por título “Discípulo Radical”, explica o termo radical afirmando ser uma palavra derivada do latim "radix", que significa raiz. "Referindo-se aqueles cujas opiniões vão às raízes e que são extremos em seu compromisso. Juntamos então o substantivo com o adjetivo: Discípulo radical. com isso teremos um objetivo em nossa vida cristã" (pág.10). Continuando seu livro, ele expõe oito caraterísticas que precisamos ter como discípulos nesse mundo pós moderno: 1. o inconformismo, 2. a semelhança de Cristo, 3. a maturidade, 4. o cuidado com a criação, 5. a simplicidade, 6. o equilíbrio, 7. a dependência e 8. a morte. 

Não teríamos como - nesse meu pequeno texto - abordar todas a características. O autor destaca quatro tendências seculares que ameaçam subjugar a comunidade cristã, ele diz: "Diante do desafio do PLURALISMO, devemos ser uma comunidade de verdade, declarando a singularidade de Jesus Cristo. Diante do desafio do MATERIALISMO, devemos ser uma comunidade de simplicidade, considerando que somos peregrinos aqui. Diante do desafio do RELATIVISMO, devemos ser uma comunidade de obediência. Diante do desafio do NARCISISMO, devemos ser uma comunidade de amor" (pág.20). No entanto, esse ponto trata do inconformismo do cristão em relação ao mundo. Fica aqui uma indicação (e a reflexão) para que sejamos discípulos de Cristo nesse mundo cada vez mais “gospel”!

Precisamos ser uma igreja relevante e não uma igreja “gospel”. Uma igreja que tem alicerce e fundamentos de acordo com as Escrituras e não associada a influência mundana ou cultural. Uma igreja inconformada com esse mundo e não uma classe de "evangélicos" modernos relativizando tudo. Que fique no nosso coração arraigado as palavras de Cristo aos seus discípulos: 

"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, acha-la-á" 

Mateus 16.24-25. 

Queremos ser discípulos do Senhor não o provocando a dizer: "E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?". Lc 6.46 Deixamos isso, para aqueles que se denominam "gospeis"! A Deus toda Glória.
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*Igreja Universal do Reino de Deus

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O que cantamos hoje nas Igrejas?

Por Morgana Mendonça

"Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." João 4.24

Como poderíamos definir o conceito de adoração, segundo as Escrituras? "Indubitavelmente, o primeiro fundamento da justiça é a adoração a Deus” - João Calvino. Antes de começar a ler esse texto gostaria que você refletisse sobre suas últimas canções ao Senhor. Não continue lendo sem refletir, isso é um pedido.

Hoje precisamos entender e refletir sobre as música cantadas nas igrejas, como poderíamos definir esse tempo de tantas "criações espantosas", louvores triunfalistas, antropocêntricos, heréticos, humanistas, distantes e desassociado com os ensinos das Escrituras Sagradas? Definir conceitos seria um bom começo, percebo que por falta de conceitos esclarecido muitos vivem convictos, porém não percebem a gravidade do erro e em que nível chegaram. O que seria adoração? "Adoração é atribuir honra a alguém que é digno". Na minha aula de Culto Cristão no seminário teológico, ouvi o meu professor por várias vezes conceituar o "Culto Cristão" como a manifestação do sagrado.

Nosso culto deve ser dedicado e oferecido ao Senhor, isso deve ser uma manifestação do sagrado, o dever supremo daqueles feitos à imagem de Deus é “atribuir dignidade” àquele em quem vivemos, nos movemos e temos a nossa existência. Atos 17:28

O que encontramos hoje são músicos, grupos de louvor que não se importam em conhecer verdadeiramente a Deus, não examinam o que cantam e simplesmente cantam qualquer tipo de canção levando com isso multidões a pularem, gritarem como se estivesse em qualquer outro lugar menos na casa de Deus. Esses músicos tocam na hora do louvor e depois muitos deles não ouvem a exposição bíblica porque estão lá fora fazendo, o que mesmo? Quando o convite para evangelizar é feito, eles dizem que são "levitas" (nomenclatura errada) e não missionários. Tempo difícil esse!

A nossa realidade está longe do que encontramos na Palavra de Deus. Em alguns momentos fui questionada por alguns jovens sobre arte na igreja, grupos de danças e teatros, eis o perigo da contextualização, existem sim os dons e talentos dado por Deus ao Seu povo. Encontramos hoje não somente problemas com as canções, existem também peças de teatro e novos estilos de danças que nem se quer percebemos, erros gravíssimos sendo apresentados durante os nossos cultos dominicais. Peças que colocam "Jesus" sendo vencido e amarrado por Satanás, dançarinos no estilo da "swingueira gospel" ferindo de forma explícita os fundamentos básicos da sã doutrina, sem nem mencionar a agressão teológica que encontramos de forma bem explícita.

Devemos voltar as Escrituras, como os crentes em Beréia, ser examinadores e provar tudo conforme os princípios cristãos. "Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." Atos 17.11

Muitos falam de avivamento, creio que isso pode acontecer, mais precede de exposição bíblica e arrependimento. Precisamos de uma urgente Sola Escriptura! Grupos de louvor, nossa adoração deve refletir a adoração do céu, na qual todos os que estão ao redor do trono de Deus dão-lhe glória. “O Pai procura a tais que assim o adorem” João 4:23. Grupos de teatros e danças façam isso para a glória de Deus, sejam suas peças e suas danças conforme as Escrituras. (Ressalva em relação a arte no Culto)

É nesse momento que a supremacia de Cristo, soberania e santidade de Deus, atributos de Deus, glória de Deus precisam ser reverenciadas, exaltadas e glorificada pelo seu povo em louvor e em adoração. É nesse momento que o Evangelho pode ser anunciado em forma de canção, as Escrituras podem ser ensinada em forma de melodia. Não quero levantar o assunto da salmodia exclusiva (mesmo valorizando muito), contudo devemos olhar para as Escrituras e entender que a adoração sempre foi coerente, confessional e revelacional de acordo com o conhecimento de Deus. Exemplos como o de Davi, Moisés, Maria, Miriã são relevantes sim, pois adoraram ao Senhor de forma suprema.

Nesses últimos dias ouvi uma canção e me alegrei, fiz dela a minha oração. Pude sentir a esperança de que é possível voltar a ter Cristo como o centro da nossa adoração, ter Bíblia na canção, oferecer a Deus um culto que somente a Ele é devido. Anderson Freire - Colisão. Então fui analisar, observem os versos também.

Preciso ser o oposto do que o mundo é [Rm 12.2]
Bater de frente com os meus desejos [1Co 9.27]
Resistir o mal até o fim uma hora ele fugirá de mim [Tg 4.7]
Preciso ser preservador de bons costumes, evitar as más conversações [1Co 15.33; 2Tm 2.16]
Me policiar quando meus impulsos, ultrapassam o limite da emoção [Gl 5.24]
Preciso guardar meu corpo, lembrar que ele é um templo santo do Pai [1Co 6.19]
Preciso ter atitude, largar o meu assento e caminhar com Deus [Mt 9.9]
Hoje é tempo de fortalecer a fé, colidir com o mundo e ficar de pé [Rm 10.17; Ef 6.1]
Mais que conhecer, preciso viver a verdade revelada [Tg 1.22-25]
Hoje é tempo de renunciar meu eu [Mt 16.24]
Lembrar que numa cruz alguém por mim morreu [Mc 16.6]
Hoje é minha vez, agora sou eu, vou morrer pro mundo e viver pra Deus [Gl 2.20; 6.14]

Adoração deve ser o interesse central dos cristãos. Não é uma questão periférica, mas a “substância última” da Fé Cristã. Ele é Espírito e importa que assim o adoremos, EM VERDADE! Agora diante da sua reflexão no inicio, como está a sua adoração a Ele? Devemos a Deus toda a Glória, para Ele toda adoração!

A Ele toda a Glória, Rm 11.36
Fonte: O que é Adoração? - William Shishko

Assistir o vídeo do Nicodemus:

http://www.youtube.com/watch?v=0DWynDzxlm0&sns=em

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Amor à vida (Novela) x Amor à vida (Cristo)


AMOR À VIDA (O TEMA DA VEZ)*

por Morgana Mendonça dos Santos

Nos últimos dias presenciamos no nosso país mais um fim de "novela", onde tive a chance de perceber o grande ibope que foi dado à mesma. Em meio ao próprio publico evangélico foi tema durante todos esses dias, comentários, compartilhamentos e curtidas em redes sociais. Muitos escandalizados com o fim da novela, pelo "beijo gay" dado por dois homens, isso muito me espanta. A grande questão é o protesto feito pelos próprios evangélicos, que ironicamente assistiram toda a trama e agora com a sua falsa espiritualidade se revoltam com a emissora e a direção da novela. Por conta do "beijo gay", esquecendo assim todo tipo de vinganças, luxúrias, intrigas, adultério, escárnio com o sagrado (ditos do famoso Félix), prostituição, inversão de valores.
Até parece que isso não é pecado diante de Deus! Hipocrisia!

No entanto, só basta um "Festival Promessas" para os mesmos esquecerem e voltarem a "idolatria gospel" outra vez. Não vou me demorar nessa linha de pensamento, sabemos o quanto essa "Globo" tem escravizado e enganado muitos em nosso meio, com a sua aparente proximidade com o meio evangélico. Você acha mesmo que a Globo tem se rendido a Cristo? A trama foi feita com o intuito de trazer o significado do que é realmente "amor à vida", como diz a canção tema da novela, cantada por Daniel, "vida, vida, vida...que seja do jeito que for...amar, amar..." Trazendo com isso, um conceito de que amar a vida é viver do "jeito" que for, é viver conforme os meus desejos e vontades, é viver segundo o que eu bem entender e querer. Será isso o verdadeiro significado de amor à vida?

Como poderíamos conceituar o amor, vemos uma descrição do apostolo Paulo sobre esse caminho excelente. "O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade" I Co 14.4-6. O oposto do que é ensinado na mídia, nas novelas e nas redes sociais.

Lembro-me do apostolo João que disse: "Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida" I João 5.12. O próprio Jesus disse: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida" João 14.6. Vivemos uma verdadeira desconstrução do absoluto, vivemos um tempo onde tudo é relativo, os valores estão sido invertidos e os professores da nossa sociedade é a mídia que tem empurrado princípios contrários a verdade das Escrituras Sagradas. Amor à vida é Cristo, ter vida é Cristo, viver esse amor é viver Cristo! Esse amor de Cristo é a vida que temos n’Ele 1João 4.16. Igreja, voltem as Escrituras! Não é viver do jeito que for. Isso não é amor à vida! Não esqueça, o nosso freio é a Cruz, isso sim foi amor à vida!
"Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" Is 5.20.

A Ele toda Glória, Rm 11.36.
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*Com o apoio Dayanne Duarte, que relatou a trama da novela citada.