quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Uma Lição de Spurgeon Acerca do Evangelismo

Regenerar homens para Deus é uma meta honrada dos ministros de Cristo..

É praticamente impossível encontrar um sermão impresso de Spurgeon que não contenha algum tipo de apelo ao não-convertido. Eles estão cheios de alegações, argumentos, alertas e instruções aos pecadores, chamando-os e convidando-os a virem a Cristo. A própria atitude de Spurgeon é refletida no retrato de João Bunyan de um verdadeiro ministro do evangelho, em O Peregrino. Em seu primeiro sermão, na igreja de New Park Street, ele utilizou essa cena para descrever como o ministro do evangelho deve considerar as almas de homens e mulheres:
João Bunyan fornece-nos um retrato de um homem a quem Deus tencionou tornar um guia para os céus; vocês já observaram como esse quadro é bonito? Esse homem tem uma coroa da vida sobre sua cabeça, a terra encontra-se debaixo de seus pés, está de pé como se implorasse aos homens e com o melhor dos Livros em suas mãos. Oh! Como eu gostaria, por um só momento, ser esse tipo de pregador; que pudesse arrazoar com os homens, assim como João Bunyan descreve. Todos somos embaixadores de Cristo e, nesta qualidade, devemos suplicar aos homens, como se Deus lhes falasse por nosso intermédio. Como eu gosto de ver um pregador que chega às lágrimas! Como gosto de ver um homem que é capaz de chorar por causa dos pecadores, um homem cuja alma anela pelos ímpios, como se ele pudesse, de alguma forma, trazê-los ao Senhor Jesus Cristo! Não consigo compreender um homem que sobe ao púlpito e apresenta um discurso frio e indiferente, como se não tivesse interesse pela alma de seus ouvintes. Creio que o verdadeiro ministro do evangelho é aquele que tem um real anseio pelas almas, demonstrado em uma atitude semelhante à de Raquel, quando clamou: Dá-me filhos, senão morrerei.. Esse ministro também clamará a Deus, para que veja os eleitos do Senhor nascerem e serem trazidos para Deus. E, conforme penso, todo o verdadeiro crente deve ser extremamente zeloso na oração em favor das almas dos ímpios; e quando fazem isto, Deus os abençoa abundantemente e a igreja prospera! Porém, amados, mesmo vendo almas condenadas, quão poucos se importam com elas! Os pecadores podem afundar no lamaçal da perdição; entretanto, poucas lágrimas são derramadas por eles! O mundo inteiro pode ser levado por uma torrente ao precipício de condenação, e, apesar disso, quão poucos realmente clamam a Deus em favor dessas pessoas! Quão poucos homens dizem: Oh! Que a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos, em fonte de lágrimas! Então, choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo! Não lamentamos diante de Deus pela perda da alma dos homens, como seria próprio aos cristãos fazerem.

Spurgeon argumentou que não apenas certos tipos de pregadores podem ser ganhadores de almas. Na verdade, todo o pregador deveria labutar seriamente para ver seus ouvintes salvos.

A menos que conversões sejam constantemente vistas, em todas as nossas congregações um clamor amargo deveria ser levantado a Deus. Se nossa pregação jamais salva uma alma (e isto não é comum acontecer) não deveríamos glorificar a Deus melhor como lavradores ou comerciantes? Que honra pode o Senhor receber de pregadores inúteis? O Espírito Santo não está conosco, nem estamos sendo usados por Deus, para os seus gloriosos propósitos, a menos que almas estejam sendo despertadas para vida eterna. Irmãos, será que podemos suportar o sermos inúteis? Podemos ser estéreis e, ainda assim, estar contentes?.

Para Spurgeon, essa paixão era inextinguível. Ele viu, de forma bastante exata, que a glória de Deus estava em jogo.

Novamente, se tivermos de ser revestidos do poder do Senhor, precisamos sentir um intenso anelo pela glória de Deus, e pela salvação dos filhos dos homens. Mesmo quando somos os mais bem-sucedidos, precisamos anelar por mais êxito. Se Deus tem nos dado muitas almas, precisamos ansiar por milhares de vezes o que temos. A satisfação com os resultados será a morte lenta do progresso. Não é bom para o homem pensar que não pode melhorar. Ele não possui santidade, se acha que já é útil o suficiente.. Essa paixão ardente inevitavelmente determinará como um homem prega. Por um lado, ela o levará a empenhar-se para ser claro em seu discurso. Devemos dizer a nós mesmos: Não, eu não posso usar esta palavra difícil, pois aquela pobre senhora que senta naquele lugar não me compreenderia. Não posso salientar aquela dificuldade obscura, pois aquela pobre alma poderá ser confundida por tal dificuldade e não aliviada por minha explanação.... Se você ama os seres humanos, você amará menos as palavras difíceis..

O objetivo de ver almas ganhas para Cristo através da pregação também levará o pregador a labutar para ser interessante. .Como, em nome da razão, podem almas se converter por meio de sermões que embalam as pessoas a dormir?. É por esse motivo que o humor pode ter um papel legítimo na pregação. Spurgeon ponderou que é .crime menos grave causar uma risada momentânea do que um sono profundo de meia hora..

Ele é tão enfático nisto, que é fácil compreendê-lo de maneira errônea. Spurgeon não estava argumentando que o pregador é responsável pelo sucesso evangelístico de seu ministério; é responsável pela fidelidade à tarefa de evangelizar. Deus, em sua soberania, salvará aqueles que Ele quiser, quando e onde quiser. Spurgeon jamais duvidou disso. Todavia, ele se recusou a nos permitir esquecer que no âmago de um ministério fiel reside uma profunda paixão pelas almas de homens e mulheres. Ele disse: Se os pecadores serão condenados, que pelo menos pulem para o inferno passando por cima de nossos corpos. Se perecerem, que pereçam com nossos braços e mãos tocando os seus joelhos, implorando que fiquem. Se o inferno tiver de ser cheio, pelo menos que seja cheio apesar de nossos esforços, e que ninguém entre ali sem estar avisado e sem que se tenha intercedido por essa pessoa..

Se nossa doutrina não conduz à devoção, alguma coisa está tremendamente errada. Não terminaremos nossa tarefa até que a cabeça, o coração e as mãos concordem. Tal integração santificada de nossa personalidade não será alcançada até que vejamos o Senhor face a face. Mas temos de nos esforçar para alcançar esse objetivo, aqui e agora. Tendo recebido o evangelho, precisamos estar engajados no evangelismo. E, quanto mais claramente tivermos assimilado o evangelho, tanto mais apaixonados haveremos de nos entregar à evangelização.

- Tom Ascol.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

McDonaldização do Evangelho

As igrejas evangélicas buscando uma concepção aceitável de evangelismo fez com que, ao longo dos anos, fosse assimilando a ideia de repassar (anunciar) Cristo de forma rápida e padronizada. Focalizando a motivação existencial em números. Avaliando o fruto pela quantidade, não pela qualidade. Instigando uma guerra onde não há vencedores.
O cristianismo pós-moderno coloca Deus dentro de um molde humano, consequentemente se limita e boicota a Verdade contida no Evangelho. Infelizmente, tem havido uma banalização do poder de Deus, contribuindo substancialmente para que haja crentes "fantoches", resultado da Mcdonaldização do evangelismo.
A igreja se tornou uma grande lanchonete do Mcdonald's. Moderna na estrutura física, atrativa no marketing, rápida na produção e padronizada no mundo. Partindo dessa linha de pensamento, cada crente se torna um Big Mac que será tragado por consumidores (líderes eclesiásticos), que de igual modo são seres padronizados.
A vida proporciona circunstancias que culminam em necessidades especificas a cada ser humano. Todavia, a padronização eclesiástica influenciada pela Mcdonaldização do evangelismo prega o oposto. Às vezes parece que há uma fôrma onde se coloca a pessoa evangelizada para eliminar as virtudes e qualidades distinguíveis a cada individuo.
Cada pessoa é individual e não pode ser tratada como uma mera linha de produção de sanduíches. O cristão Mcdonaldizado é aquele que vive simplesmente para ser o que todos outros já foram. Apenas mais uma cópia da igualdade inquestionavelmente discrepante.
O mundo tem feito dos seres humanos doutores em ativismo e mestres em imediatismo. Infelizmente, a igreja protestante assimilou esse ensino com bastante ênfase. Trabalha-se exaustivamente na obra de Deus, mas não se tem tempo para o próprio Deus. Traça-se um evangelismo relâmpago, com resultados rápidos, produzindo conversões momentaneas. O cristão Mcdonaldizado no ativismo e no imediatismo é aquele que faz de tudo, porém não chega a lugar algum.
O estilo de evangelismo que se faz determina a maneira de ser da igreja. Com certeza isso explica o porque de tanta rejeição eclesiastica, pois os cristãos assimilaram com maior eficacia a estrategia de crescimento do Mcdonald's do que a simplicidade de se espelhar em Jesus Cristo.
Que Deus nos ajude.
Vinicius Seabra. Professor das áreas de teologia e administração; diretor do Seminário Evangelico de Teologia da America Latina; presidente da Missão Tocando as Nações e pastor da Comunidade da Fé - Igreja Cristã em Goiâna, Góias, Brasil.